Brasil diante de uma demanda aérea que dobrará até 2050
Por Bruno Neves
Diferente de crises passadas, o cenário pós-pandemia revelou uma lacuna persistente. O estudo da IATA confirma que o setor não retornará à curva de crescimento linear atrelada ao PIB que víamos antes de 2020. Estamos entrando em uma fase de maturidade de mercado, onde o crescimento global médio deve se estabilizar em 3,1% ao ano. No Brasil, essa moderação exige que as companhias e o governo olhem para além dos números brutos e foquem na eficiência.
Internamente, o Brasil vive uma dualidade. Enquanto o eixo Rio-São Paulo opera próximo ao seu limite, a projeção de dobrar a demanda global pressiona por uma descentralização necessária.
O futuro da aviação doméstica brasileira até 2050 está no interior. Cidades médias ligadas ao agronegócio e novos polos industriais serão os motores dessa nova demanda.
Para que o brasileiro comum consiga voar nesse novo cenário, o país precisa enfrentar seus fantasmas operacionais. O custo do combustível e o alto índice de processos judiciais contra empresas aéreas são entraves que, se não resolvidos, podem tornar a passagem proibitiva, impedindo que o Brasil acompanhe o ritmo de crescimento mundial.
No mercado internacional para o Brasil, a dinâmica deve mudar drasticamente de direção. Com a Ásia-Pacífico e a África liderando o crescimento global com taxas de até 3,8%, o Brasil deixará de olhar apenas para o Norte, EUA e Europa.
A demanda de visitantes vindos do Oriente e do continente africano tende a crescer, exigindo que o Brasil se posicione como um ponto de conexão estratégica no Hemisfério Sul.
A transição energética, citada pela IATA como pilar central, é a maior oportunidade do Brasil. Como potencial gigante na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), o país pode atrair voos de longo curso que buscam reduzir pegadas de carbono, tornando-se um destino amigável ao clima e economicamente mais competitivo para companhias estrangeiras.
A mensagem central das pesquisas é clara, as pessoas querem e vão viajar mais. No entanto, Willie Walsh, diretor-geral da IATA, alerta que esse crescimento catalisará empregos e desenvolvimento apenas se houver capacidade de oferta. Para o Brasil, isso significa que os próximos 25 anos devem ser marcados por uma modernização aeroportuária sem precedentes.
Se o país não preparar seus terminais e não reduzir seus custos estruturais, correremos o risco de ver a demanda global dobrar enquanto o mercado brasileiro permanece estagnado em gargalos terrestres. O horizonte de 2050 é promissor, mas exige que decolemos agora nas reformas necessárias para sustentar esse voo.

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