Radiografia do carnaval 2026
Por: Bruno Neves
O Carnaval de 2026 marca o ponto mais alto da história do turismo brasileiro. Segundo dados consolidados da CNC e da Braztoa, a festividade não é apenas um evento cultural, mas uma operação financeira que deve injetar mais de 14 bilhões de Reais na economia nacional, um crescimento real de 3,8% acima da inflação em relação a 2025.
Este crescimento é impulsionado por um fenômeno duplo, a entrada recorde de turistas estrangeiros, que atingiram a marca histórica de 7,9 bilhões de Dólares em gastos acumulados no Brasil em 2025 e o amadurecimento das agências de viagens, que retomaram 40% do market share de pacotes complexos.
O comportamento do turista em 2026 varia drasticamente conforme o destino escolhido. Enquanto o Rio de Janeiro se consolida como a vitrine global, o Nordeste detém o maior ticket médio nacional devido à cultura dos camarotes e abadás.
O Rio de Janeiro e Florianópolis são os destinos que mais atraem o capital estrangeiro. No Rio, 35% do público é internacional, focando no espetáculo do Sambódromo e na conveniência da Zona Sul, com um gasto que pode chegar a R$ 6.500 por semana.
Já Florianópolis apresenta o maior teto de gastos do país, atingindo R$ 9.000. Esse valor é impulsionado pelo perfil de público, 30% estrangeiros que busca os Beach Clubs e festas eletrônicas exclusivas, onde o consumo de bebidas premium e a hotelaria de alto padrão elevam o ticket médio.
Salvador detém o dado mais curioso: embora tenha apenas 12% de estrangeiros, possui o maior gasto médio base, partindo de R$ 5.079. Isso ocorre porque o Carnaval baiano é altamente monetizado para o público brasileiro. O investimento em abadás de blocos famosos e camarotes VIP nos circuitos Barra-Ondina é um comportamento típico do turista nacional, que está disposto a pagar caro pela exclusividade e proximidade com os trios elétricos.
Para quem busca otimizar o orçamento sem perder a essência da festa, Recife e Olinda aparecem como as melhores opções. Com um teto de gastos de R$ 4.000, o destino atrai pela gratuidade do Carnaval de rua e pela riqueza do Frevo e Maracatu. O público é majoritariamente brasileiro (85%), mas o interesse internacional cresceu 50% em 2026 devido ao reconhecimento do multiculturalismo local.
São Paulo, por sua vez, apresenta o menor gasto médio de R$ 1.500 a R$ 3.200. A cidade se beneficia de sua infraestrutura urbana e da vasta oferta de hotéis, permitindo que o folião gaste mais com gastronomia e menos com logística de deslocamento, focando nos desfiles do Anhembi e nos blocos de rua que dominam o centro e a zona oeste.
Os segmentos com maior faturamento durante os dias de Carnaval são: alimentação e bebidas, com R$ 5,77 bilhões, seguido por Transportes com R$ 3,73 bilhões, hospedagem com R$ 1,44 bilhões, lazer e Entretenimento com R$ 1,12 bilhões, comércio Varejista de moda e fantasias com R$ 840 milhões e serviços de Locação e Agenciamento com R$ 680 milhões.
Dados da Braztoa e da Secretaria de Turismo da Bahia revelam uma tendência curiosa, o brasileiro gasta, em média, 40% a mais que o estrangeiro em Salvador. O motivo é que o público nacional consome o Carnaval como uma experiência vertical, com compras de abadás para múltiplos dias e acessos VIP que podem custar até R$ 2.000 por noite. O Estrangeiro foca no turismo de longa estadia. Permanecem em média 11 dias no Brasil, diluindo o gasto diário em alimentação e transporte, priorizando a vivência cultural e a hospedagem em hotéis de rede com 45,4% da preferência.
As OTAs como Booking.com e Airbnb dominam 55% do volume total, sendo a escolha principal para o folião econômico ou de última hora. No Rio, o Airbnb já representa 34,9% das hospedagens no Carnaval, atraindo quem busca reduzir custos em 53% através da economia compartilhada.
As Agências cresceram 20% em vendas para este Carnaval. Elas dominam o setor de luxo e grupos. Em 2026, 93% das operadoras registraram embarques iguais ou superiores ao ano anterior. O consumidor voltou à agência para evitar a tarifa dinâmica abusiva dos aplicativos e garantir transfers seguros em cidades saturadas.
A entrada de estrangeiros para o Carnaval 2026 cresceu 40%. O Rio de Janeiro lidera a preferência, mas Recife teve um salto de 50% na venda de passagens internacionais, fruto de novas rotas diretas da Europa e América do Sul. A Argentina segue como o maior emissor com foco em Santa Catarina e Rio de Janeiro, Estados Unidos e Chile com forte presença no Rio de Janeiro e São Paulo e Portugal e França com Interessados na raiz cultural de Salvador e Pernambuco.
O Carnaval brasileiro provou que a tecnologia das OTAs e a curadoria das agências não são excludentes, mas complementares. O país encerra a temporada com o turismo contribuindo 13% acima dos níveis pré-pandemia no PIB nacional. O Brasil não é apenas o país do Carnaval, é a maior economia de experiência do mundo em fevereiro.

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