Por que o Short Stay não performa em todas as cidades?
Por: Bruno Neves
O mercado de short stay deixou de ser uma promessa para se tornar o principal motor do setor imobiliário brasileiro. No entanto, um olhar atento aos dados revela uma realidade geográfica seletiva, enquanto algumas cidades experimentam um boom de novos empreendimentos, outras permanecem em um hiato de desenvolvimento.
Abaixo, analisamos os motivos que explicam essa disparidade, baseados nas tendências de mercado e nas barreiras estruturais que impedem a expansão desse modelo para o interior e cidades de pequeno porte.
O desenvolvimento do short stay em 2026 está concentrado onde a liquidez e a profissionalização se encontram. Segundo dados recentes, o estado de Santa Catarina e a cidade de São Paulo lideram o ranking de Retorno sobre Investimento.
As cidades de Itapema, Balneário Camboriú e Florianópolis alcançaram o padrão ouro do setor. Com rentabilidades que superam 16% ao ano, o sucesso catarinense deve-se a um tripé de infraestrutura turística, segurança jurídica e conectividade aérea.
A capital paulista se sustenta no fluxo corporativo. Cerca de 46% das locações profissionais em São Paulo são voltadas para executivos, garantindo ocupação estável mesmo fora dos períodos de férias.
Se o lucro é tão superior ao aluguel tradicional, por que o short stay não se desenvolve em todo o Brasil? As pesquisas indicam três barreiras fundamentais:
1. A Barreira da Sazonalidade
Em cidades menores ou focadas exclusivamente em um único atrativo como cidades de uma só festa anual, o risco de vacância é fatal para o investidor. Diferente de Gramado, que inventou estações para manter a cidade cheia o ano todo, muitas cidades brasileiras possuem períodos de morte turística, onde o custo de manutenção de um imóvel mobiliado supera a receita das diárias.
2. O Custo da mão de obra
O short stay não é renda passiva, é hotelaria. Nas grandes metrópoles, existem gestoras profissionais que cuidam de tudo. Em cidades menores:
É difícil encontrar empresas que façam a gestão de limpeza, lavanderia e check-in com padrão hoteleiro.
O proprietário acaba tendo que ser o próprio zelador, o que desestimula o investidor profissional.
3. Insegurança Jurídica e Condomínios Antigos
Muitas cidades de médio porte possuem parques imobiliários envelhecidos. Nestes locais, as convenções de condomínio, muitas com mais de 30 anos não previam o aluguel por plataforma. Isso gera batalhas judiciais intensas entre moradores tradicionais e anfitriões, elevando o risco do investimento.
Um novo fator que surge em 2026 é o impacto da regulação tributária. Com a equiparação de locações de curta duração às regras do setor hoteleiro, a carga tributária para quem aluga como pessoa física pode chegar a 16,8%. Em cidades onde o ticket médio da diária já é baixo, essa mordida fiscal inviabiliza o negócio, deixando o mercado restrito a grandes centros onde o valor da diária comporta tais impostos.
O short stay continuará a se expandir apenas onde houver gestão. Cidades que não desenvolverem um ecossistema de serviços com limpeza rápida, fechaduras inteligentes e automação ficarão presas ao aluguel anual convencional. Para o investidor, o mantra de 2026 é claro: o lucro não está apenas no imóvel, mas na capacidade da cidade em manter o hóspede circulando.

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